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Um Repouso Sempre Ocupado

  • há 11 minutos
  • 2 min de leitura


Numa longínqua vila de pensamento, avisto alguém que apresenta-se a todos os espectros de luz como de imparcial projeção.


Ele leva consigo uma carriola vazia, talvez disposta por completo ao que estiver ali a carregar, ser levada pra onde for que se mova.


Árduo esforço de recomposição, efeito das dispersões periféricas, juntas por mais uma e única vez, resultado de contingências e um bom braço para recolher.


Queria poder dizer o quão óbvio esta sozinha estada diante dos vivos resguarda um franzir de olhos e uma penumbra que recai sobre minhas sobrancelhas.


Entretanto, desconfio que seja o único, que por mais uma vez, volto a admirar o já visto, e eternizo o passageiro, sem os falsos trejeitos de quem conserva empalhado seu próprio coração.


E sem atraso, cumpro minhas obrigações como capacho da vida, entregando sempre mais do que me pedem, e não exigindo nem o mínimo a sobreviver.


Talvez fosse gafe ou vergonha, pois sub é a designação precisa de como vivo; pão e água me sobrecarregam nesta subsistência; sem apelo leniente nem por folga excludente.


Se eu dissesse cinicamente que desejaria, aos céus devolveria a transcendência, e talvez pudesse assim cochilar sem meneios, nem tolices imaginativas.


Mas neste estado de urgência permanente, donde brota portas que não se abrem e janelas que não se fecham, queria poder assim ser liberto, libertino, livre finalmente.


Ocupar-se furta com consentimento um tempo que não me pertence, mas me determina; assim como torna o espaço limitado e limitante, e as quedas e declínios são indivisíveis tijolos de sustentação, que mesmo precário serve de abrigo para a solidão.


Eu poderia mentir para afirmar, que não procuro escondido pernas e concupiscências, talvez um pequeno papo e um belo sorriso; quem sou para escolher sonhos e merecer carinhos.


E a hora a tiracolo, sempre a me lembrar dos meus cansaços e retratos, adiciona uma camada no cobertor a me esquentar, desejando um bocejo sem arcar com as consequências, de pôr-me para fora desse cansativo trilho, que reluto em abandonar.










 
 
 

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Filosofia, Educação, Arte e Ciência

Eduardo Worschech

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