Um Repouso Sempre Ocupado
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Numa longínqua vila de pensamento, avisto alguém que apresenta-se a todos os espectros de luz como de imparcial projeção.
Ele leva consigo uma carriola vazia, talvez disposta por completo ao que estiver ali a carregar, ser levada pra onde for que se mova.
Árduo esforço de recomposição, efeito das dispersões periféricas, juntas por mais uma e única vez, resultado de contingências e um bom braço para recolher.
Queria poder dizer o quão óbvio esta sozinha estada diante dos vivos resguarda um franzir de olhos e uma penumbra que recai sobre minhas sobrancelhas.
Entretanto, desconfio que seja o único, que por mais uma vez, volto a admirar o já visto, e eternizo o passageiro, sem os falsos trejeitos de quem conserva empalhado seu próprio coração.
E sem atraso, cumpro minhas obrigações como capacho da vida, entregando sempre mais do que me pedem, e não exigindo nem o mínimo a sobreviver.
Talvez fosse gafe ou vergonha, pois sub é a designação precisa de como vivo; pão e água me sobrecarregam nesta subsistência; sem apelo leniente nem por folga excludente.
Se eu dissesse cinicamente que desejaria, aos céus devolveria a transcendência, e talvez pudesse assim cochilar sem meneios, nem tolices imaginativas.
Mas neste estado de urgência permanente, donde brota portas que não se abrem e janelas que não se fecham, queria poder assim ser liberto, libertino, livre finalmente.
Ocupar-se furta com consentimento um tempo que não me pertence, mas me determina; assim como torna o espaço limitado e limitante, e as quedas e declínios são indivisíveis tijolos de sustentação, que mesmo precário serve de abrigo para a solidão.
Eu poderia mentir para afirmar, que não procuro escondido pernas e concupiscências, talvez um pequeno papo e um belo sorriso; quem sou para escolher sonhos e merecer carinhos.
E a hora a tiracolo, sempre a me lembrar dos meus cansaços e retratos, adiciona uma camada no cobertor a me esquentar, desejando um bocejo sem arcar com as consequências, de pôr-me para fora desse cansativo trilho, que reluto em abandonar.




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