Talvez um Abandono daquilo que Nunca imaginei Ser
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Parecia que tudo estava ali contido, em uma infinita quantidade de seres consubstanciado em uma única qualidade.
As vezes admiro aqueles que não deixaram de perguntar quantas páginas foram viradas, e quanto foi escrito para ali agora estar.
Transitoriedade incorporada, qualidade agora assistida pelo tempo, que faz com que possamos sentir, cheirar e tocar aquele infinito imaginado.
Na virtualidade dos sonhos, o escuro misturou-se aos pontos que mal podia ver, assim como o cosmo é grande o bastante para nos perdermos em seus meandros.
Nesses luminosos indiscerníveis, estão em potência modos ainda não-descobertos de como falar sem ser interrompido pelo fim, nessa descontinuidade necessária de fluxos que contornam.
Por quase todos os momentos, caminhei em direção ao horizonte esperando sua distância, e quando titubeei, senti-me de braços dados com aquela imensidão; e a palavra me faltou.
Quão tolo fui
diante de um alfabeto
ainda medido por oposição
preto e branco não formam
nenhuma composição
Do escuro enquanto ausência, ao escuro como potência, dei dois passos sem me entregar as dicotomias; e assim um ciclo pôde se fechar.
A vertigem tomou conta de mim, por conta desses giros que me impus como viajante, e de limitado fui a errado, até que tudo em meu entorno se sobrepôs.
A casa que eu acreditava ser expressão do individual, proteção das intempéries da contingência, mostrou-se sentido e ruína, perseverança na indução por unidade.
Desfiz-me por completo, e a imagem retornou ao plural das estrelas, conferindo-me uma dignidade resignada, ainda uma massa de acúmulo e abandono.
E foi nesse passo, que um mosaico de vidas redesenhou-se em pinceladas nada simétricas, com tudo para ser um verdadeiro caos; origem sem destino, destino indefinido.
Como me senti inadequado dizendo sobre linhas, fins ou continuidades; quando tudo agora poderia ser saboreado como um único e estupendo multiverso.




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