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Um Oásis de Impessoalidade

  • 25 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Passei por ti sem nem mesmo olhar ao lado, descabida reação involuntária, nutrida por anos a fio em que abandonei o querer a outros quereres.


Efusivamente, a única vertente que tracei, mal pode ser vista, pois tamanho deletério faz-se sua matéria, amálgama de dissabores e de um tempo que apenas passa.


Parece ser pouco feliz minha maneira de contar, que sem esperar o calendário usar suas pernas, minhas muletas dão um salto acrobático pelo presente.


Sem presença não pode haver ausência, e a saudade nunca vem, chega até mim os farrapos de uma memória alheia, vidas advindas de outros lugares, excessivamente adversativas.


Estas condições com assegurada certeza, nem de perto estariam do alvo, pois a contraposição é sinal de sua natureza mais íntima, mas não menos vulgar.


De afetos rústicos, desfiladeiros defronte a um oásis, as quedas tiveram um papel preponderante em sua jornada de muito calor e pouca água, uma verdadeira desidratação emocional severa.


Essa desconfiguração egóica, passos sem sentir o chão, não poderia ter outro destino senão a solidão voluntária, travestida da mais vexaminosa tristeza assoberbada.


O cultivo geracional, muito regado e quase nada colhido, promoveu um duplo desatino; que desabraçou os filhos e provavelmente toda uma geração ainda por vir.


As portas foram fechadas e o tapete de boas vindas guardado a quem com pouco pode ameaçar, e faz contigo toda uma reza, esperando por tempo suficiente para que as preces façam algum efeito.


Contudo, as palavras são livres para voar e não mais voltar; natureza sonora, rumo incerto.

E as janelas que se abrem para ouvir, são muito pouco reconhecidas, lembradas somente são elas pela sua função meramente ilustrativa, e que não cabe em uma mão.


As palmas não se encontram assim, ofuscadas pelo sol que margeia as cortinas, e dizem muito mais que os sotaques que se chocam, mas que acabam por não se tocar enfim.


E é com um insulto, que o riso transborda os lábios, e não se converte em sorriso, pois o nascedouro da alegria deve estar perdido a um tamanho de tempo tão longínquo, que não se sabe voltar pra casa.


Lembro-me que um lamento já tinha sido feito, de companhia benfazeja da angústia e sua vizinha tristeza, que magoou-se com estas trocas de temporalidades indecisas.


Todo um ilusório bem estar sentido e consentido, desdobra na escura e densa verdade das emoções, que verte lágrimas por palavras; desespero sem retidão, pessoalidade nem mesmo diante de seu duplo.


 
 
 

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