Quão Duro e Inflexível pode ser uma Rocha
- 23 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Em um ritmo deverás acelerado, ao tempo vivido em conjunto na dimensão relacional , torna-se por demais estratificante, demarcando sobremaneira ritmos e gostos, a revelia de seus participantes escolhidos.
Ao amor que enlaça, nada a dizer, pois por excessivo pragmatismo, este modo quadrangular de subviver, alimenta um narcisismo exploratório, donde o encontro retroalimenta uma estanque visão do sujeito sobre si mesmo, como verdade delimitada.
Os contrastes, que ganham evidências nos opostos, são alçados ao nível de teoria validada, e passa a servir de parâmetro para julgar aquilo que nas sombras do brilho do insosso aparece.
De biológica acepção, um encontro torna-se, neste quadro exposto, um conflito geracional, sem continuidade que possa se apresentar, mesmo que a abertura artificialmente criada pelo diálogo, estabeleça uma ponte entre um passado e o presente que se apresenta com a cores desgastadas pela tradição.
Ao sujeito sobrepujado por anos a fio por finas e cortantes linhas do desamor e da rudeza existencial, sem sombra que possa ecoar como escapatória, sua potencial maleabilidade foi tolhida no momento mesmo de um inicial assentamento afetivo; e que reduziu o campo de visão as asperezas dos cantos vivos de um quadrado, e que não há óculos que salve esta cegueira emocional.
Forma dura e de arestas intransponíveis, não tem as irregularidades de um diamante a ser lapidado, o que impede em sua própria genealogia a chegar no momento em que as forças solidificaram sua composição inicial.
Sem emergência existencial, a dureza torna-se uma via de mão única subjetiva, que infelizmente, ganha status de objetividade observacional, transgredindo de maneira reativa um progresso que poderia advir de uma lapidação.
As implicações vivências são várias, e acabam por subsumir o cotidiano a uma suposta e ilusória repetição de fatores, o que agrava as proximidades relacionais, pondo de lado uma certa intimidade visceral, que acentua nas superfícies o toque macio do carinho e a dimensão verdadeiramente espiritual dos enlaces.
Poderíamos aventar imaginar cenário de tão vasta desolação, sem concessões ao sonhar, mas, de inteira vertigem elaborativa, somente um encontro poderia despir os trajes de penúria que a elegância traveste.
O ter-sido emerge como magistral exuberância conservativa, como se fosse um sinal de nobreza de valores, uma inequívoca plêiade de notórias determinações, que ao fim e ao cabo, se expõe a fraqueza de uma vida que já se foi.
Os constrangimentos tolerados nesta jornada relacional, tem parâmetros familiares de incólume clareza, expostos de maneira inconteste nos maneirismos valorativos e comportamentais, o que prenuncia tristemente um reduzido espaço de movimentação narrativa, estreitando laços como se enforca um condenado.
Essa esfera de tamanha obviedade superficial assusta até mesmo quem por progressão declinativa, tem ascendido a novos patamares de desilusão; e tem invariavelmente encontrado paradoxalmente feridas expostas e mantidas em segredo, tudo ao mesmo tempo agora.
E é em seus reveses desprovidos de significado, que a fortuna se apresenta, inconstância como reflexo de suas vicissitudes românticas; ou, dos acasos de sua infeliz morada afetiva.
Não há ampulheta que se digne ser mestra do tempo, sem ser também um registro vivo de que, não há esconderijo no mundo que possa apagar as marcas do quão tóxico, uma grande parte das vivências é.



Comentários