Quem sabe uma Expulsão seja uma Salvação
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Um grande pomar localizado num árido sertão familiar teimou em crescer e se manter, mesmo nascido desesperançado de tudo.
Quem ali avistava de longe, conseguia de maneira míope enxergar um marco originário, como se pudesse confundi-lo ao começo de algo inusitado.
Solo frio em correntes longas de desafio; como pudera alguém se desvencilhar daquilo que o antecede, contando para si e para todos um vexame de nascimento.
Nesta confusão, as expulsões foram erroneamente interpretadas sem filtro como denegações incompletas, pois o ódio que as mobilizou não conseguiu partir as raízes que nos sustenta.
A verdade de quaisquer coisa nunca esteve em jogo, somente a aceitação, sob o jugo das intempestividades das gerações, que calcinaram aquele solo, na contradição constituinte do aceitável.
Ao singular como único, interpõe -se ao singular enquanto só, afastado do plural que designa fantasiosamente o que é família, e a corda que aperta um pescoço poderia ser naturalmente vista como passiva, sem intermédio das mãos que a seguram.
Ao tom de voz de grave alcance, que naturaliza um grito, será recebido com afeto torto e retorcido, que se esgueira para sobreviver neste ambiente de acolhimento sofredor, sofrimento de passagem.
E nesta escassez premonitória, o querer vital se atrofia, atingido frontalmente pelas constrições da falta de abraço e dos beijos que não vem.
E é na boca que deveria nutrir, impropérios são seu mote, e nas feridas é que conquista sua autonomia, no seio materno o fel torna-se alimento que perdura, e a tristeza se compõe.
E nestas intempéries emocionais que o retorcido se cria e copia, e as desgraças parecem apenas fúteis bobagens, que estas vidas subsumidas devem aceitar.
São longas e desgastantes as camadas de solo que se sedimentaram, compactando sentimentos e sensações, alienando o vivido pela falta de ar que há por debaixo da terra sofrida; é aquilo que ali brota, nutre-se somente daquilo de resta, da carência que compõe.




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