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Quem sabe uma Expulsão seja uma Salvação

  • há 18 horas
  • 2 min de leitura

Um grande pomar localizado num árido sertão familiar teimou em crescer e se manter, mesmo nascido desesperançado de tudo.


Quem ali avistava de longe, conseguia de maneira míope enxergar um marco originário, como se pudesse confundi-lo ao começo de algo inusitado.


Solo frio em correntes longas de desafio; como pudera alguém se desvencilhar daquilo que o antecede, contando para si e para todos um vexame de nascimento.


Nesta confusão, as expulsões foram erroneamente interpretadas sem filtro como denegações incompletas, pois o ódio que as mobilizou não conseguiu partir as raízes que nos sustenta.


A verdade de quaisquer coisa nunca esteve em jogo, somente a aceitação, sob o jugo das intempestividades das gerações, que calcinaram aquele solo, na contradição constituinte do aceitável.


Ao singular como único, interpõe -se ao singular enquanto só, afastado do plural que designa fantasiosamente o que é família, e a corda que aperta um pescoço poderia ser naturalmente vista como passiva, sem intermédio das mãos que a seguram.


Ao tom de voz de grave alcance, que naturaliza um grito, será recebido com afeto torto e retorcido, que se esgueira para sobreviver neste ambiente de acolhimento sofredor, sofrimento de passagem.


E nesta escassez premonitória, o querer vital se atrofia, atingido frontalmente pelas constrições da falta de abraço e dos beijos que não vem.


E é na boca que deveria nutrir, impropérios são seu mote, e nas feridas é que conquista sua autonomia, no seio materno o fel torna-se alimento que perdura, e a tristeza se compõe.


E nestas intempéries emocionais que o retorcido se cria e copia, e as desgraças parecem apenas fúteis bobagens, que estas vidas subsumidas devem aceitar.


São longas e desgastantes as camadas de solo que se sedimentaram, compactando sentimentos e sensações, alienando o vivido pela falta de ar que há por debaixo da terra sofrida; é aquilo que ali brota, nutre-se somente daquilo de resta, da carência que compõe.





 
 
 

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Eduardo Worschech

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