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O Teatro da Exaustão

  • Foto do escritor: Eduardo Worschech
    Eduardo Worschech
  • 15 de jan. de 2025
  • 2 min de leitura


Estive recentemente, e mais uma vez, disponível a vivenciar por exaustão da solidão, uma peça já visitada em um constrangimento antecipado e rememorado por uma comparação virtual.


Virtual é o que já está aí, em sua forma acabada nas prateleiras da deserção voluntária; dispositivos de mensuração do agradável e justo celebrar, ode ao bem estar por procuração.


Aquela clássica alegação da dúvida como motor e da ignorância como saber, aqui não faz vez, pois os contornos são absolutamente claros, diante de quaisquer que sejam os conteúdos que por sorte ou necessidade, apareçam diante das cortinas que se elevam.


Mas a estultícia do convívio, em sua mescla de desatinos e contrabalanços pueris, não impede que a cardiopatia que domina, possa se render a um contorno de querer, do rabisco semiapagado do que sobrou em seu balé.


Sem os pés que se cruzam nesta dança, ainda a música predomina, mas sem que prepondere a razão no desejar, pois turva também são suas notas.


Sinfonia em dó menor, um drama que se instala na coxia, e para todo aquele que na plateia deseja estar, ouvirá muito mais que a orquestra a tocar; pois os flagrantes traumas percorrerão sua emergente libido, até matar.


E nesta sucessão de desvarios individuais, entre gargantas secas e engasgos auditivos; recordo das formas que antes trazia, sua suave via, e aguardo com consistente covardia, o cair das cortinas para tudo enfim acabar.


Empobrecido, e com toda pompa daquele que foi vencido, embalo em mais um sono, que agradeceria poder ao menos parecer estar; dado que o descanso viria em seu encalço, fazer-lhe companhia em seu pesar.


Mas passado aquele brilho crescente, o céu encoberto que se seguiu, impediu que se pudesse avistar sua evolução, com toda certeza amealhada por toda confusão de pré conceitos e pós verdades; e que se solidificou antes mesmo da boa nova, que naquela noite não se anunciou.


Um braço sobre o outro e um riso frouxo, não eram parceiros de oclusão; pois em duas irreconciliáveis dimensões, apareceram.


Sem ter chegado a qualquer hora, aquele ciclo de lugares se esvaziou; e aquelas formas que de aviso estavam lá na recordação, permaneceram intactas, até que uma elevação possa finalmente acontecer.

Quão charmoso para o sujeito este vislumbre de redenção e paz, e na mais torpe esperança, pareceu ainda acreditar que os pássaros no ar tem liberdade.


Ainda com algo por dizer, não percebeu que a peça terminou, a catarse não o encontrou, e que ele ainda permanece por entre as fileiras a divagar.


O desfecho obviamente já era conhecido, desde aquele início percorrido, pois instalado esteve logo ali , no escuro ambiente que nem por um segundo se iluminou.


 
 
 

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