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Narciso está no Outro

  • 10 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Atravessei por entre a relva densa que diante de mim se depunha. Sempre nesta insistente penumbra de meus olhos e na amálgama entre o beneplácito desejo e o hesitar consciente, ao lago de formosa densidade é o lugar de procura, espelho das imagens formosas e da plácida fantasia.


Fantástico que recobre momentaneamente tudo a sua volta, e no mais destemido encontro, orgulha por sobre este espelho de fluida concepção, de firme contemplação.


E aqui, repousa pelo tempo que não se arrasta, pois guarda em ti as forças que sempre almejou em seu ferido intimo, mas que se contenta naquele agora que não se soma, nem se pode medir.


A este fascínio paradoxal, que liberta a fúria dos sentimentos e ao mesmo tempo não se contenta com sua desmedida, uma gaiola estará sempre a procura de um pássaro para criar.


Cinismo é o que acusariam, desprezo de braços cruzados e uma anedota pra contar. E ainda assim, o sono do incauto não viria, acreditando que a falta que lhe faz um olhar, ainda lhe faria por completo.


E um verdadeiro perímetro demarcatório se estabelece, a revelia do mirado coração, músculo que menos se exercita neste corpo que compõe.


E escondido atrás do pilar desta construção, espia em descrédito pessoal, pois não credita que o amor possa chegar, sem mesmo bater para entrar.


E por inteiro, recai sobre ti aquilo tudo guardado, como se o peso do mundo já não bastasse, nestes dias em que ele aguarda a tiracolo de seus ombros demasiado humanos.


Queria poder dizer que é por inteiro, que se pensa saber por falta de sentir, aquilo que colocaria pontos nos finais, e vírgulas entre as estórias.


A soberania da indeterminação se sobrepõe ao controle dos ponteiros, confundindo exigências e desprezando suas próprias experiências.


De força intensa, contudo, na clandestinidade das emoções, abate sobre ti as sensações que apertam, e jogam em seu colo um acelerado palpitar, sem quaisquer dissimulação prevista, unicamente uma identidade em risco de escorregar sob as fendas do amor.


A vertigem libidinal captura seu âmago, que agora cambaleia de pontas dos pés diante do abismo, e que se esgueira em flertar com o mais fundo daquilo que vê.


Poderia ser agora que o desnorteado seria suficiente, mas o leste se somou a verticalização do sul, e fez com que toda semântica emocional perdesse seu rumo.


E é nesta imprevisibilidade que o belo se constitui, a mercê de seu criador, que de criatura se transforma, tudo vê, mas nada enxerga de fato.


Desconforto esperado, nunca desejado, sabe-se em potência de agir, e banido tornou-se sua condição primeira, pois de assalto toma para si toda vontade alheia, e assim reconforta sua passagem por este mar de delícias escondidas.


 
 
 

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