Na Pressa se Encontra o Fim
- 21 de fev. de 2025
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Uma ou duas pernas não se criam, se cultivam; somos todos corredores, indistintamente.
Inusitado seria se houvesse quaisquer sinal de estranheza nesta constatação, talvez uma dispersão de olhares e juízos; sem que o entendimento chegasse antes da virtuosa ampulheta.
Mas a linha já está debaixo dos pés logo cedo, e o medo já tocou o ombro direito. Largo logo em seguida, seguindo a vontade partida, que transita para muito além de sua verdade transmitida, pois a lei é aquela do destino.
Contudo, o alvoroço desmedido segue a trilha de um horizonte apenas dito, pois as pegadas é que de fato mapeiam o nunca antes visto.
O excesso de zelo, que se máscara de lealdade, nunca terá a finesse da realeza, pois preocupa-se em demasia com um outro, que usurpa aquilo com sua permissão.
Neste caldeirão bem requintado de exaustivas narrativas, preenche-se o precioso caldo que lhe pertence com frívolos ingredientes, requentados pelos traumas e desavenças.
Ao melindre do tempo, substância de difícil definição, tem sido de maneira excessivamente difusa e capturada por estímulos impróprios, indignos por natureza; pois suas finalidades não tem um chão para se pisar, nem um teto para sustentar.
Talvez a hibernação de um suposto pensar, seja uma maneira de separar por decantação aquilo que o fluxo temporal por si só não consegue. Deveria a nós ser óbvio, sem quaisquer pretensão, que os números que se agitam sem cessar, não conseguem nem ao menos trocar de sapatos, nesta exaustiva valsa a bailar.
Aqui não se discute legitimidade, como se uma lei pudesse conduzir um viver, uma artificial externalidade que contasse os passos internos e determinasse a velocidade de uma corrente.
Aos trilhos que perfazem um caminho, sabe-se de seu rodar, sem que sua parada seja descrita; distorcer seus fluxos, esticar como roupa no varal, a brisa pode assim transitar por entre os fios emaranhados, pois o esforço transforma o alienante fácil, no difícil almejar.



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