Isto não é um Encontro
- 8 de mar. de 2025
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De solo batido, calcinado pelo senso comum e pelos quatro pontos cardeais das cartas, fui lembrado de algo que deveria tocar o coração, para além dos dois átrios e suas contrações.
Cadenciado na pausa, parece ser o que Saramago construiu, e toda emoção que ali supostamente deveria estar, foi toda como aprisionada por uma auto sabotagem.
Senti em minhas mãos um serrote a cortar a ponte, donde meus pés pisam com tamanha força para se assegurar, que aquilo que gravita nunca perde seu roteiro e sua órbita a girar.
Comecei assim a somar negativos, com o intuito de confirmar o que as flutuações que quase sempre presenciei nos relacionamentos são de fato; frutos de uma análise margeada por detritos perspectivos e uma boa dose de cinismo.
Mas nem só de cantos vive as apressadas circunstâncias, pois os dardos nem lançados foram, e mesmo assim acertaram seu alvo.
De luzes radicalmente apagadas, é da insistência despreparada que o ambiente se invadi, e sua ocupação apenas o óbvio aludiu; o que de extraordinário brotou como vidência.
Não foi pela crença ou sugestão que o cheiro da chuva foi sentido pelos pulmões ,pois as sensações estavam todas lá, em seu locus de profusão, não no papel e suas difusões.
E foi como uma mescla de rejeição e confirmação, que assenti tratar-se de uma representação, bastante primária, e de pouca resolução; Sísifo ainda não conheceu os relacionamentos.
Tamanho mesmo são os obséquios que se avolumam nos encontros, como se o desejo pudesse se inscrever nesta categoria, e por obviedade que o cansaço perdura e as emoções pelejam.
A ineficaz sobreposição da memória faz-me lembrar que não há retrospectiva diante do abismo da negação, pois não cabe a nenhum de nós, olhar com os olhos do outro.



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