A Mercê de seu Olhar
- 15 de mai. de 2025
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Atualizado: 25 de mai. de 2025

Ao mecanismo da imitação, incrível maquinaria de suposições e assemelhamentos, de liberdade limitada ao poético do olhar, que parece emergir sem espectro de manifestação sentida, que faz com que varie-se os fatos, a depender deste olhar que vê.
Donald Winnicott dizia de um certo espaço transicional, experimento criativo de divagações lúdicas, ambiência de segura expansão, de prazeres em progressão; e isso de maneira abstrata instiga- me a borbulhar pensamentos sobre as singularidades, matizadas por uma certa internalidade composta, aquém e além da desgastada janela que se parece com olhos, pois esquece-se das cortinas que a traveste.
Olhos que de fato veem invertido, como já sabido por Leonardo da Vinci; falta então a não óbvia decifração, que aos gregos já era conhecida esta presença magistral como figura mítica, que devorava todo aquele que simplesmente via, sem de fato entender.
Transcendência física e espiritual, através da janela que se abre, é possível avistar tudo aquilo que a penumbra espessa das memórias não recobre, e em otimismo realista, pode-se ressignificar o antes visto como um novo amanhecer.
Não sem um impacto floreado, este jogo torna-se duplamente exaustivo, pois cada passo faz enrijecer esta prisão relacional, enquanto que a liberdade vem gradeada por um encanto nada saudável, de fluxo ansioso de paradoxal estabilidade.
Soma-se a isso um frágil equilíbrio, composto de linhas invisíveis que sobredeterminam padrões de fragmentação, como Sigmund Freud descreveu a beleza demarcatória de um cristal, e como um impacto faz emergir suas linhas de clivagem; pressão e reação, estrutura da personalidade em um piscar.
Quão incompleto pode ser o imagético fruto dos resíduos mnemônicos ópticos, pois sua materialidade só ganha musculatura na presença da língua falada, da escolha nada consciente das palavras.
Está provável e possível superação pela ruptura com as resistências neuróticas, fator de impedimento das vontades livres, produz um efeito emancipatório no desejo, e capacita o indivíduo em suas potências de elaboração; menos vulneráveis aos estímulos visuais.
Ao redesenhar o todo visto em palavras, os afetos puderam pouco a pouco se rearranjar, tornando passível de ser sentido, sem que toda uma cobertura idealista pudesse subsumi-la.
Ao temor do amor, perde-se força, pois tê-lo descoberto de suas marcas indeléveis, guardadas com esmero por insuspeita proteção, fez com que as portas novamente pudessem ser abertas; e a luz mais uma vez triunfou, chocando-se finalmente com seus desígnios essenciais.



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