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A Derrota pela Sombra

  • 29 de dez. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de mar. de 2025

Um cenário enegrecido surge de maneira difusa na distância entre as pálpebras e os olhos. Anteparo da sensação, primitivo pesar sobre o que estaria por vir.


A permissão da visão aqui ainda não tinha nem mesmo sido consultada, dado que as percepções estavam à mercê de um terceiro elemento, absoluto mandatário do destino.


Neste ínterim, percebe-se que a arbitrária conjugação entre sentimento e sensação não poderiam ser medidas com quaisquer que fossem os instrumentos de parametrização, nem mesmo um esquadro que pudesse dividir ao meio esta ilusória separação.


Umbilicalmente, desejaríamos todos que somente a nós chegasse o mínimo do subsistente, pois assim, o restante caberia ao toque e aos olhos abertos para enxergar.


Diante da inexorável impossibilidade desta avalanche não nos devorar, a saída involuntária seria uma fatalidade.


Expulso no momento oportuno, a sombra que aliena e a luz que ofusca se encontram numa única e última vez; dor e solidão nutrida com todo zelo, transmitida em sofrimento e desamparo; beleza da cisão entre sentimento e sensação.


Do ambiente do muito pouco para o quase nada, o ganho em movimento somou-se ao afago triste, o abraço constrangido, a recusa permanente.


É sabido que por debaixo da ponte corre um rio caudaloso, rico em formosa vitalidade, mestre em arrastar perspectivas e devaneios; sonhos de esperança e sucessão.


Mas aqui, cenário em retração, por sobre a ponte avista-se a sombra que escapou da escuridão, fuga que com destreza trouxe consigo na algibeira a imorredoura derrisão, consubstanciada na catástrofe do meio.


Nesta disputa de territórios de braços curtos, onde os abraços são econômicos e os atrasos uma constante, o equilíbrio torna-se uma batalha entre contrários; fuga do esmagamento desamoroso e dos desejosos pelo fim.


Quem assim caminha, trilha caminhos mais velozes que a cartografia dispõe em si, e passa ferozmente a fagocitar tudo que lhe possa servir de instrumento de proteção, nesta selva que não tem fim.


É provável que seria bom saber gostar e se alegrar com tudo aquilo que não se têm, com a esperança de um mero imaginar que aquele dia nunca esteve lá, e que ao final, não estivesse aqui.


Diante da enormidade deste revolto oceano, com seus refluxos destrutivos por natureza; que sem fim e finalidade, destroça até mesmo aquela inofensiva garrafa lançada ao mar.


A mensagem que ali estava contida, sem titubeios narrativos ou deflexões protetivas, cabia na palma da mão, e levava a tiracolo a sombra que em ti brotou, e que assim permaneceu.


 
 
 

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