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Um Grande Vespeiro Intocado

  • 5 de nov. de 2023
  • 2 min de leitura

 

Nuvens que encobrem os céus da primavera provavelmente indicam que o tempo irá mudar, independentemente da estação; aí que um passeio desatento pode facilmente nos levar a exaustão, de forma a agravar com pouca ternura aquele de único e mesmo coração.


Nada de solavancos ou ânsia exacerbada pode servir como acalento; de suave deve ser mais do que a brisa, e com tamanha diferença de potência, àquilo que é fluido torna-se sólido em suas palavras. Mas sabe-se lá o que tropeça pela massa encéfalica da bucéfala anômala e sem estribos.


Quão bela a relva de tom esverdeado, de sabor clorofilado que alimenta todo aquele pasto, quantos foram regurgitados pela malícia grosseira da falastrona descafeinada, nada ali parece ter quaisquer elementos a agregar.


Em suas artimanhas, escaramuças e um cadafalso ao final da escada; quem se enforca é aquela que com o garrote faz seu cachecol. Tamanha desfaçatez não poderia ser aprovada como amiga confidente, pois com os dentes da conivência pode arrancar-lhe a índole e substituí-la por um comichão, que te cutucará por mais tempo que você gostaria de ter presumivelmente entregue.


Que vida é esta que encurta o alheio para esticar a sua própria insatisfação? Se satisfeito estivesse, ao irrelevante nem aqui neste relato estaria; pois se exaltaria com os relevos da estação, não da ocasião.


Crônicos mesmo são seus passos, que são tão fiéis a sua estupidez que não arredam o pé da lama, e que esgotam todo o drama, que poderiam estar vivendo na novela da vida; e assim tornam-se inválidos fervorosos; rituais que comungam com os aleijados de espírito e os estrupícios da vez.


Se ao pó veio e ao pó retornará, poderíamos inventariar longos rastros de sujeira deixados pelas valas que habitou, sem risco de cometer um desliza na profusão de estultícias.


Não sei se cabe o esforço, ou se necessário seria todo o desgaste que se teria em fingir que é alegria o que de fato é dor que deveras sente. De constipação facial, como seu amassetado coração; que órgão sofredor é este que com o amor nunca topou.


Quanto desperdício que se fez, ó criador: dois pulmões,  coração e duas pernas. Se descêssemos pelas encostas do fisiologismo, atravessando o rio das emoções, até chegarmos às planícies do existencial; provavelmente pedras iriam rolar em uníssono retumbar, praguejando aos céus que de injusto brilhar, deu a ti pulmões para quem não pode respirar; um coração que nunca soube amar; e para que pernas, se ti só sabe rastejar.

 

 

 

 

 

 
 
 

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Green Juices

Filosofia, Educação, Arte e Ciência

Eduardo Worschech

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