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Tantas são as Inadequações Plausíveis

  • há 4 dias
  • 1 min de leitura

Parece tão desnecessário algumas expressões que tendem a estacionar suas iniquidades nos cantos de nossa memória.


“Chegamos ao fim da linha” talvez pudesse ser proibida por decreto, dada sua complexa relação com o nada que vem depois.


Levei isso radicalmente a sério e imaginei que este novelo já estaria vazio, excessivamente convencido por esta niilista designação.


Entretanto, linhas não são pontes, então, avistei pela segunda vez uma donzela que por demasiada insistência familiar, se equilibrava nas pontas dos pés acima do guarda-corpo.


Tínhamos algo em comum, com toda a certeza; acima e abaixo daquela ponte tínhamos perspectivas complementares,


Ao desterro subterrâneo, o olhar se enviesa para forçadamente tocar a pele macia, e buscar sentir o idealizado conforto daquele abraço.


Por outro lado, a incerteza do agora projeta a equilibrista num futuro vindouro, nesta mais profunda ilusão de que ao amanhã cabe apenas o desejo, e não o destino incomensurável.


A ponte, no imaginário popular, pensada como travessia, aqui subverte e desdobra-se como interligação de fatos passados, lugares no tempo, e não simpatias no agora; e nada mais.


Hierarquias assim se avolumam, e os degraus são usados por ofensas e paixões interrompidas, inadequações banhadas por este rio que sabe seu lugar, por debaixo da ponte.


E nesta contraditória ambiência, são as cobranças que se sobrepõem, aguardando de braços cruzados sob a ponte, talvez na espera de que alguma embarcação possa ser trazida por esta correnteza que não se pode controlar.


E ainda assim, continuamos sem poder esticar aquela linha, pois, por óbvia constatação, ela já teria alcançado o seu fim.


 
 
 

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Filosofia, Educação, Arte e Ciência

Eduardo Worschech

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