O Infinito dos Conflitos
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Falam como se soubessem algo especial, um mistério contido num local improvável, tudo a um só instante, com escadas que sobem e são destinadas a todos, mas em sua insensatez, acreditam estar a dois degraus do céu.
Neste ínterim escalatório, visível a parentalidade da soberba e da estupidez, ela guarda consigo o espírito dos costumes, da alienação necessária a sua manutenção.
Nestes polos diametralmente opostos em expressão, conjuga-se o deletério destino de uma sucessão de mal feitos, perseguições e morte.
Aqui não se caminha para um fim, pois ele já está dado em sua trilha, ora verdejante, ora enevoado.
Ao transeunte que busca se expiar ao longo deste trajeto, curto torna-se seu olhar, pois não há ponte que se estique entre temporalidades.
Por óbvio, não há nada de bucólico que possa ser reconhecido, dado que a manutenção de um presente infinito é a única forma de sobrevivência e subserviência.
E estas sobreposições, que se submetem ao ideário de manutenção, só poderiam resultar de uma profunda frivolidade existencial, temerária que é das portas que convidam e se abrem para o eterno.
Assim, a elasticidade contida no Cosmos, fruto de sua natureza em expansão, não chega aqui nos microuniversos pessoais, dada a pequenez de caráter, dada sua total desimportância.
Ao que o chamariz que permanece por tempo em demasia exposto, atrai a cada piscada uma revoada de iniquidades, que ditas com certa firmeza, aparentam ao tosco um belo poema.
Capturado sem defesa, contrariado por uma fastidiosa vida, seu bucólico despejar inunda sobremaneira seu olhar aparentemente carinhoso, fundamentalmente só; e que questiona sempre sua silhueta aprazível e sua solidão forçada.
O descaramento nada sutil e o mascarar todo trivial, conjuga-se nesta senda aberta pelo intransigente caráter de sarjeta, invólucro expansivo daquilo que repugna até o mais vil dos indivíduos, por conta de seu ar de superioridade; o que sempre e para todo o sempre representa os aspectos lumiares da redução do outro a mero inseto.
E é nesta brutalidade exercida com exímia glória, que ao todo se constitui de seus rejeitos, da exaltação desavergonhada daquilo que gostaríamos de esconder para debaixo da cama, e que somente retornaria nos pesadelos pessoais mais sombrios, mas que aqui, se exaspera como o triunfo da destruição, a grande mostra de que as dissonâncias existenciais formam muito mais a identidade repressiva e regressiva, do que um cabelo penteado e a arrogância que não sustenta nem sua própria estima.




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