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Um Confortável Sofá para se Deitar

  • 2 de set. de 2023
  • 3 min de leitura

 

Depois de uma noite de olhos semi serrados e de angustiada mescla de desejo e interrupção, ao cansaço deu boas vindas. Já cedinho uma cobrança chegou a porta, mas ela não aguardou ser atendida, pois entrou sorrateira e se aconchegou no frio daquela tez exausta e sem brilho.


De posse desta incumbência matutina, é mais do que normal protelar a sua saída, para caso acontece um engarrafamento, esteja-se preparado para não sair da geladeira.


Daquele frio não se faz calor, para que isso fosse possível, mais de um coração seria necessário bater; como as máquinas a vapor que carregam suas dezenas de vagões por entre os trilhos das multidões; felizes de alguém poder puxá-los.


Desta maneira, um retorno premeditado é registrado como destino, já concluído até em sua memória, antevendo uma situação aguardada, contudo não vivida.


Ao relógio não se importa, ponteiros de artificial constituição; quão gostaria de ser batimentos, pois assim poderia um dia desligar, como se nunca tivesse batido. Ao tic tac sem isenção de culpa, martela no ouvido do partícipe aquela bateção sem eira nem beira.


Não é de se estranhar que a criança nasça com toda predisposição ao infinito, incorruptível avanço numa direção nunca antes vista, sem quaisquer demarcações a priori a serem vistas. Cartógrafo do ainda por vir, seus pés quando tocam o solo se transfiguram em pontos de memória; maestra sincronia com o absoluto.


Mas as contingências de certo nunca são aguardadas, como se não houvesse espaço para sua aparição; quão ingênua é toda esta intuição, que abandona todas as sensações premonitórias e sem consolo a razão é consultada.


Entretanto, esta aceitação estrutura-se nos parâmetros de suas próprias concepções; métrica de mal contados dedos emparedados. Ao que disse ao fechar a porta que não há janela que se assemelha a uma entrada; esta certeza se encontra tão perto quanto são distantes as entradas e saídas.


Ficaríamos estranhados se por uma tola suposição começássemos a nos referir sobre uma flecha quaisquer, sem que o arco tomasse corpo nesta empunhadura narrativa.


De bela combinação, não haveria objeções que pudessem atrapalhar esta trajetória, que começa naquele portãozinho baixo e de um sorriso de alegria de um jovem rapaz.


Não seria pedir muito se aventássemos o provável tiro no alvo, dada a histórica façanha daquele domingo que nunca terminou. Por alguns anos, nunca se é possível de fato averiguar esta pontaria, pois só podemos avistar o destino depois de passado pelos menos uns doze passos; e mesmo assim ainda o efeito poderia ser revisado, dada a qualidade de seu entorno.


Contudo, mesmo antes que esta inspeção pudesse ser tido como satisfatória, cai do berço uma besta fera, que apegada ao mais cruel dos ressentimentos estaciona em toda vaga que acredita ser sua.


Em cada parada um abandono; uma revisitação ainda mais uma vez daquela moradia, que de doce nem o lar. Insuspeito de sua ignomínia, tem como abandono sua mais nobre estratégia de suspeição, tal como em toda a sua mísera vida atestou-se, de papel passado.


Assim, mesmo sob o jugo da espada, a lâmina não o inquietou; pois de nada valeu o esforço que até hoje não veio. Assim, é bastante preciso que não há nada que se queira adaptar, quer seja para encolher ou espichar; Procusto malfeitor aqui nunca reinará.


Se aquele andarilho nômade tem a pompa de destemido forasteiro, conhecedor do mundo no próprio mundo; talvez em outra galáxia valorativa esteja o vagabundo indolente, que nem olhar pra fora foi capaz, permanecendo com suas vistas turvas por toda esta longa jornada não vivida.


Nunca houve uma festa na qual quis participar...a morte lhe caiu bem.

 

 

 

 

 
 
 

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Green Juices

Filosofia, Educação, Arte e Ciência

Eduardo Worschech

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