top of page

O Zelo com as Perdas Colecionadas

há 11 minutos
2 min de leitura


Uma música começa a embalar uma ginga corporal, que se espraia como o vento sul levantando suas nuvens em direção ao rebento do mar, e uma dupla conjuga-se neste cambalear sem justa posição; apenas toques de mãos e olhares a se completar.


Uma compulsão por estar errado é o grande sentido de viver; viver a beira da insatisfação, no prazer requentado e na necessária certeza de poder balbuciar sem restrições.


As ocupações são tenras e ternas manifestações de meros deslocamentos, horas que tornam-se anos, e minutos que alimentam a mesmice.


Como é suportável saber que os limites encontrados estão sempre tão visíveis, que torna-se insuportável admitir que ultrapassagens são raras, e que não se lapida um carvão buscando encontrar brilho.


Mas quem seria de altivez esguia, que sem olhar o fundo confunde-se com as risadas doces, e deseja esquecer que é autêntica a fragilidade emocional, pois ela assim se parece, idêntica ao que é.


A maravilha de toda performance é que sua exposição é teatral, nunca dramática, pois para se ter vida deve-se ter paixão, e quando ao palco se retira, as sobras é que se expõe como suas.


Será que tudo pode ser escrito, com direito ao sagrado e o banal, sem quaisquer interdição simbólica?


A toda suposta riqueza de lugares e tratos, reunião de falsos dilemas e pré ocupações ordinárias, que lamentavelmente são escolhidas a preencher, sem nota nem recibo, que de excessivamente cheias podem ser vistas no reflexo do fundo.


 A soberania que se encontra no fluxo da vida não se submete incólume as proximidades do conforto, como se 20 minutos pudessem preencher o eterno do amor.


Com uma jogada peremptoriamente perdida, desembainhei a fúria do desentendimento e ataquei esperando o sangue jorrar como prova de que a vida poderia estar no sagrado.


Ao troco como troca, uma anedota guardada como valorizada foi sacada da algibeira das ilusões, e serviu como profana alusão de que um saber é como se fosse um monumento, que perfaz situações e acontecimentos, e que ali estaria algo a ser chamado de clarividência, entretanto, obteve-se somente o de sempre.


Os juízos emergiram como se fossem um contraponto a um julgamento do outro, subsumindo-se sua total semelhança essencial de conformidade ao espírito da identidade preestabelecida e pré conceituosa.


As vezes, uma provocação é uma forma de provação, que não se encerra num julgamento- de forma alguma- , mas num juízo de valor meio retorcido, que subtrai a felicidade para adicionar comodidade. As adições, estas sim somam-se indefinidamente como frustrações, que servem de consolo ao perdido, este sim, não colecionável.


E foi que o ordinário suplantou o descaminho, o suposto banal elencou seus sucessores; e mais um troféu poderá ser exibido com louvor, por mais uma perda desejada , e de contundente desprezo pelo fluxo movediço do amor que toca, um elegante adeus foi esquecido nas gavetas do nunca abrir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

Comentários


Green Juices

Filosofia, Educação, Arte e Ciência

Eduardo Worschech

Inscreva-se para Filosofia e Educação

Thanks for submitting!

  • Twitter
  • Facebook
  • Linkedin

© 2022 by Worschech. Proudly created with Wix.com

bottom of page