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Amar, verbo em Transição

há 27 minutos
2 min de leitura

Não sem um tempo próprio e uma livre disposição de experienciar, talvez seja impossível ao menos tentar acreditar que as desilusões são tão transitórias, da mesma forma que seria extenuante contar os segundos de nossas vidas.


Diferentemente de uma mera sociabilidade, aos grãos da ampulheta e seu esforço em cair, faz jus ao contiguo despertar que o amor possa fazer em cada pedaço de alma que faz cair.


Parece não haver registro que componha todo este ato de fazer e sentir, descompassado que ele possa parecer, pois a ânsia em contato com o desejo faz queimar, assim como a chuva fria de outono faz repelir.


Insuspeito no interior desta trama, donde o drama faz o centro do peito tremular, e uma penumbra colhe seus louros diante dos seus olhos, esta a sensação pueril, que conjuga-se a juvenil estupefação, que na antípoda do mais profundo, encontra-se o lábio e seu jogo do inconsciente, palavras que contornam a boca e moldam-se ao desejo.


E é no frio que se encontra o calor, escondido nos cantos de seus braços e nas pintas de seu pescoço, mas não sem se esquecer do fugidio estalar que é o encontro.


A paridade entre a ideia encontro-desencontro é tamanha, que quase se confunde em nossas memórias, acostumadas a guardar em suas gavetas tudo aquilo do passar.


O amor por si não cura, pois é no seu fazer que está o antídoto a toda desfaçatez do real; esse sim, um profundo sucedâneo que corta na superfície as amarguras ressentidas da solidão.


Contudo, a amplitude de sua intensidade pode provocar curtos circuitos em paralelo, que reverberam para além da esfera amorosa, e passam a se agrupar como se o universo todo estivesse tomado pelo amor.


E não é a avenida da desfaçatez a esquerda do coração que é seguida, pois um cansaço já instalado cria um ambiente propicio a dormência dos sentimentos, um estado de aparente apatia relacional, impedindo que as curvas sejam feitas, e que a monotonia torne-se seu guia.


E na integral razão que se desenha antecipadamente as angústias, que se move todo um pendor, que satisfeito com o mínimo que resta no fundo do copo, não se esforça nem em beber o que sobra, nem encher o que ainda pode ser preenchido.


Está dívida contraída num tempo imemorial dos sentimentos, descola-se por completo daquela razão dominadora, que aparenta ser o triunfo da vontade, quando de fato, seu antípoda transborda insensatez e vergonha.


Tão belo quanto assustador é o fascínio que faz com os braços busquem apertar forte aquele fragmento do desejo incompleto, enquanto que os olhos buscam no imaginário os complementos do faltar.


Platão foi um exímio adestrador de opostos, acreditando em partes que se compõe e faltas na oposição; e a fraqueza disso estaria no ímpio assentimento deste diálogo, que de conversas tem apenas consigo e seus desejos.


São de fato as verdades inscritas nos cacos e pedaços é que dizem sobre a volúpia do amor, e a sua ligação só consegue acontecer quando a sobrevivência emocional bate a porta, mas entra furtiva pela janela.










 
 
 

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Green Juices

Filosofia, Educação, Arte e Ciência

Eduardo Worschech

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