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De Angústias bem Abertas

há 11 minutos
1 min de leitura


Não é de se estranhar na familiar obsessão pelo caminho e aos passos que se conta em direção a lugares de conflito, ou, para dizer que não falei das flores, lugares de conforto, e como é as vezes pesaroso carregar a nós mesmos conosco.


A estrela movente deste espetáculo itinerante parece ser a angústia, que brilha com intenso fervor nos momentos mais incômodos, e que se acomoda como espinhos encravados.


Isso é feito com esmero pelo destino, que escolhe compulsoriamente o que faz sofrer, e sopra com ardor sua fugaz e duradoura névoa de esperança nunca alcançada, sentido irreversível deste significado que não se altera.


A angústia, esta mestra do tempo, é exímia criadora de brilhos, que faz piscar corações e bater alguns olhos, que sem trocas, faz do amor uma verdadeira perversão.


Versão de um atropelo sem vítimas, que catapultou imaginárias dispersões das inúmeras vezes nas quais os dedos serviram para contar lágrimas que não escorrem.


As predições aqui são como um sufoco mal digerido, perdas que não chegaram nesta estação malfadada ao esquecimento; perdição sem gozo nem pecado, de expiações que deveriam ter um lastro.


Quão desgastante foi por toda vez que o fruto despencou sem tocar o chão, espatifou por completo por não ser querido, e nunca teve a chance de voltar a terra decomposto, para que talvez um dia outro broto tornasse-se árvore; e alguém de mãos hábeis pudesse agarrar suas alegrias não vividas.










 
 
 

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Filosofia, Educação, Arte e Ciência

Eduardo Worschech

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