Nada que se Assemelha a um Sonho
- 3 de mai. de 2023
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Uma ponte começa a ser erguida por entre dois muros transversais. A primeira vista não parece com a segunda, nada de paralelismo nem um toque no infinito.
De nuvens magistrais borrifa-se o éter celestial, composição de formas e um desbravador da noite pela luz agradecida. Fragmento de visão, pois deste espectro não é a olho nu que pode-se vê-lo; somente em suas vestes.
Esplendor e brilho, nada que se assemelhe a um sonho, em razão da pura materialidade na qual é constituída, sobrinha mais nova dos átomos indivisíveis; com o perdão da separação.
Sonho que se sonha desperto, sono dos sentidos, imagem fulgurante; tudo se compõem em compostos desejantes, sem comparação com a felicidade.
Dos devaneios ao por do sol às angústias ao luar; latitude e longitude que não se cruzam, trópicos de leste a oeste, mas nunca o equador.
Ao nascer da sexta feira, a expectativa de um enlace casual paira como orvalho que esfria, contudo não umedeci os sentimentos; toque sem profusão.
Quão extravagante e incomum se acaso a colheita deste fruto sem planta, caule sem raiz, brotasse nas palmas trêmulas e ofegantes naquele pestanejar.
Daquele sorriso acalentador, um coração que salta ao peito como se sozinho ali estivesse, se expande por todo o tráfego congestionado em busca de mais e mais pulsar, escava-se bem fundo ao encontro de todo nutriente.
Que fantasia é esta que de próximo se esgueira, desfoca? Todo corte prenuncia uma possível marca, que nascendo deveras se constitui como derradeira continuação daquilo que ainda não começou.
No porta retratos na cabeceira, que vitalidade manifesta e expressa por todo um corpo; moldura âmbar a fitar. Sua elegância transpõe em seus gestos e malícia, sabe-se bela e assim transparece.
Mas esta fantasmagoria pode num estalar de dedos se esvair, desaparecer não como apareceu; como intruso devaneio, piscadela das fantasias a gritar. Se deste ouvido ouve-se um dentro pra fora, reverso sonoro, amplificação visual; desta reverberação não se cria, pois de areia temos mais do que castelos, e o mar esta sedento por aniquilar.
Se aquela atenção que pende para um lado da balança cativa, infortunamente divago sobre o prato vazio e seu peso medido em gramas, não em quilos. Nisso alça voo com suave tranquilidade aquele suposto parceiro, que dito como casal, contudo se mostra como andorinha.
De combinados e pragmáticos acordos, passos com hora marcada e setas no chão, a leveza daquela beleza acaba por tornar-se dispensável; e toda a dança que poderia advir das curvas graciosas daquela trilha ao sopé do iluminado vale de maravilhas, se converte na perspectiva de uma ribanceira sem atenção no olhar.
Preparo para um prelúdio que não vai acontecer, encanto sem quaisquer fantasia; nada aqui está ao alcance deste corpo sofrido pelas almas que a circundam. Mesmo assim, sonha que aquele dia se aproxima, mesmo com os pés presos ao chão e com a convicção de que o oásis é apenas uma ilusão no meio do deserto.




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