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Convencido da Arquitetura

  • 11 de jun. de 2023
  • 3 min de leitura


Convencido de que as formas dos fenômenos do mundo pudessem remeter a um tipo especial de designação de suas exuberâncias, uma leitura preciosa de extravagâncias passaram a ser transcritas em um fino alabastro e lavradas a cinzel.


Não havia artificialidade nesta empreitada de artifícios, réguas e esquadros; que prescindia de compasso e compadrios, que se nutria da ponta do carbono e dos tijolos a brotar.


Sustentáculo de um novelo extenso e multifacetado, sobreposição natural (sem sobrecarga estrutural), de leve e amorosa compleição; edificação de envasaduras e arcos em semi círculo, abertura ao pleno espaço cultural; esta coluna orquestral fazia-se ouvir sem intempéries e sobressaltos, pois de ti advinha uma paixão pelo esplendor da vida e todas suas conjunções.


Corresponsável por qualidades e defeitos descendentes, de dupla formação; como construtor de novos tecidos convividos e de tamanha sensibilidade as renúncias e ternuras.


Fez o que deveria ter feito a fazer, desenhou por tudo quanto foi os lugares e dimensões, esquadrinhou terras e novos materiais foram seu estofo inovador. Do robusto ao esbelto, do concreto armado a vidraçaria; infindável olhar por sobre o lirismo da vida, das amizades e da parentalidade.


Menestrel de frugais festividades, companhia ativa de germanos idiossincráticos; tinha o prazer de tudo ensinar, corrida de revezamento com suas ascendências, com desproporcional ascensão do real primogênito.


Um trem assim partiu, vencendo a apatia dos trilhos, fixados pelos dormentes por um caminho que sempre se repetiu; curvas feitas e montanhas vistas. Quão íngremes foram todos aqueles vales, equilibrismo orgânico para romper com aqueles de vocação para mediocridade, sem concessões e obras criadoras.


Confiança em ti pela desenvoltura que te apetece, força produtiva que incomoda por palpitar no peito; circular por sobre as vestes desgastadas e ao final vicejar naqueles montes onde o carril nunca pôde chegar.


As insurgências retroativas, de capengas por formação e incompletas por essência; tentavam solapar sorrateiramente aquela avidez de vida, desfibrados como todo desleixo existencial preconiza.


Em formas livres, deu o tom circundando de maneira intuitiva a toda plasticidade própria do carinho, não deixando se represar qualquer sensação de alegria, importando apenas o brilho que dali surgiria.


Irritadiços pela bela tarde de sol, primaristas dos despojos ainda em brasa, desprovidos de projetos e ouvidos para ver, sorrisos para viver; impossibilitados que assim sempre foram e ainda serão, por descuido com o passado e uma circunscrição que pequena se fez minúscula, afinou-se sem se tornar esbelta.


Presença estrutural, além de corpórea e material; espírito de concreto armado. Naquela afeição aos pincéis, fulgurou atos de vontade e liberdade, inabalável a todo ardil menor, póstero e ao final pó.


Da prole nascida em ponto de vencimento, o obsoleto e provinciano se estabeleceu; e aquilo que poderia vir-a-ser de um gérmen de instabilidade criativa, de efusiva invenção e transvaloração cultural; passou a deslocar sob seu jugo uma pérfida campanha ad eternum contra si e o mundo. Como a decrepitude de seu mundo cabia em uma pata; pata fina marcou seus filhos com a desonra de seu sangue.


Mas conta-se que uma gota daquele vinho tinto começou por traçar um mapa dantes apreciado, cartografia sensível e amorosa; um contrapeso geracional. Nada poderia se revelar com um mero brotar, mas sim como um desabrochar sempre a luz da primavera, como um toque no ombro e um afago no coração.


Fulminante foi aquele ataque, que não descarrilou a máquina a vapor, pois todos queriam negar que aquele mapa ali ficou; e que seguia enfim com todo um ardor.


O esplêndido de uma linhagem, que serpenteia pelas colunatas e entablamentos, e que se esgueira da mesmice e o simplório; é que quando uma forma cria a beleza, ela passa assim a dispor de julgo próprio, de dormente em dormente avança por novos caminhos, contraste com as paredes lisas e os cantos retos das gerações perdidas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

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Green Juices

Filosofia, Educação, Arte e Ciência

Eduardo Worschech

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