Brado a Feliz Meninice
- 10 de jan. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 19 de jan. de 2023

No amarelo cor do céu, encontra-se a transição pujante que fulgura a imediatez da vida, um brado extemporâneo que passa a modular toda a intensidade daquilo tudo que se faz e se mede.
Aos redores da grande cúpula, o povoado se organiza em distintas salas, distintos mundos, distintos sujeitos. Nada mais pode transparecer, pois o instante urge e a potência retumba; e uma acolhida extensa e cotidiana marca a todos que ali permanecem.
Mas, uma contradição se elevou diante do andarilho que pôde presenciar no sol a pino a sombra dos diferentes personagens que se estendia por sob aquele solo duro e frio.
De um lado estavam aqueles na qual a sombra permanecia inerte, talvez reflexo de seu temperamento; enquanto em outros a sombra flanava, como se o tempo não importasse, somente a vida.
Quão diferentes poderiam ser estes sujeitos, que sob a suposta mesma aurora reluziam; sujeitos estes que não se diferenciavam pela faixa etária, preponderantemente, mas que na pirâmide da vida teriam chaves inversamente contrárias; a mocidade a tudo pertence, ao caduco o real é um fardo que a todos os dias ele carrega.
A caducidade de maneira progressiva ruma seguindo a força agressiva da entropia, se esfacelando a medida que o abismo olha pra ti; contração.
Um olhar pedagógico rudimentar, que tangencia preconceitos a muito consolidados estão ali virando a esquina, prontos para desferir seus golpes infanticidas. Uma dogmática percorre de maneira linear estas movimentações, impedindo que as crianças desloquem-se a esmo: comandos, silêncio e prostração.
Em seu lado oposto está o magistral espírito- criança, que sobreleva-se de maneira frenética, pronta a tudo por fazer na trilha aberta do bem viver; expansão.
Há que se dizer que de maneira alguma os outonos passados atrofiam-se peremptoriamente em monólitos, pois o espírito- criança, o devir criança é um descentramento perpétuo do mesmo, é o efusivo transformar- se; o que de modo algum inválida a presença desta metamorfose no adulto que “ daqui a pouco está no meio das crianças”.
Secantes se formam nesta encruzilhada de destinos, promovendo truncamentos, passagens ou uma sobreposição de planos. A sua convergência dada por estes múltiplos encontros, acabam por formar uma teia mais ou menos solida de relações, que são dosadas pela estrutura fechada ou aberta que predomina. No franco desabrochar, linhas de fuga ou brechas existências que escapam as estruturas paralisantes, criam novos olhares, perspectivas e novos espaços.
Uma pincelada transversal tocada suavemente sobre o papel fez com que cores brotassem do espontâneo devaneio; o caminhante, aquele que não se cansa de andar, foi quem trouxe o instrumento, mas foram as crianças que fizeram as auras sobrelevarem.
Sublime profusão de relatos, intensa demonstração de amor. Como é sempre possível desviar-se dos cadafalsos aos quais somos levados ao longo de nossa existência e refazermos novamente, por mais uma vez a grande aventura da vida.




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