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As Avaliações Internas na Escola: Um Contraponto Necessário

  • Foto do escritor: Eduardo Worschech
    Eduardo Worschech
  • 10 de jan. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 19 de jan. de 2023







A avaliação como atividade sistemática voltada para a análise de desempenho de pessoas remonta a um passado longínquo, utilizando de maneira geral de questionários avaliativos como parte de uma metodologia didática.



No entanto, na área de educação, parece que foi mesmo com Ralph Tyler (1902-1994), educador estadunidense, na década de 1930, que a avaliação educacional iniciou sua estruturação, voltando-se a partir daí para a análise do currículo e do desempenho do aluno, desenvolvendo contribuições teóricas que perduram até hoje.


Mas, é a partir da decada de 90 no Brasil que as avaliações ganham um caráter avaliativo educacional de larga escala, como o SARESP. A possibilidade de essa avaliação atender mais claramente às necessidades políticas de reforma tornou-a prioridade e modelo que passou a orientar a avaliação das aprendizagens, avaliação da escola e de currículo.

O sentido de poder que tem a avaliação se explica por sua presença em quase todos os âmbitos de intervenção social. "A avaliação não é simplesmente coisa de escola, nem somente da educação. Ela ultrapassa largamente esses âmbitos e cada vez mais vem ampliando seus alcances e seus efeitos na econômica e na política...ela confere credibilidade e legalidade às medidas de caráter administrativo e políticos promovidas pela alta burocracia estatal" (DIAS SOBRINHO, 2002, p.39-40).


Os indicadores de qualidade permitem compreender o desempenho do aluno, associado às contingências sociais, à estrutura e às condições da escola que definem o bom desempenho. Mas, muitas vezes, a interpretação das necessidades centra-se nas faltas observadas, sem uma análise do contexto e de outros fatores históricos que produziram tais faltas ou dificuldades. Analisar os dados de uma avaliação exige mais do que identificar o que está descrito, supõe compreender os resultados no contexto em que eles são produzidos.


É importante ressaltarmos que há sempre um risco envolvido quando a escola pressionada pela lógica da competitividade procura levar o professor a desenvolver a avaliação da aprendizagem em sala de aula à imagem e semelhança da avaliação de larga escala, provas tipo testes e questionários, focados apenas nos produtos, sem preocupação de analisar o processo pelo qual alunos desenvolvem suas aprendizagens.

Se é de suma importância apresentar os resultados das avaliações, é também o de demonstrar as limitações funcionais e estruturais que professores e gestores tem para tomar as decisões necessárias para a superação das defasagens.


Não se pode imaginar que, somente o professor retome seu planejamento e reveja seu plano de ensino para focar as dificuldades maiores dos alunos, pois a avaliação oferece mais elementos do que somente uma relação de habilidades a serem requeridas aos alunos. Além disso, deve ser também oferecido um repertório de possibilidades do qual a escola possa lançar mão a fim de superar os problemas indicados pelos processos avaliativos.



Em se tratando das avaliações em sala de aula, elas não podem ficar condicionadas a esse formato da avaliação de larga escala, pois ele limita e restringe a coleta de informação e a análise de resultados por utilizar a medição das respostas por itens do tipo objetivo.

As avaliações devem permitir identificar não só o que o aluno sabe, mas compreender por que não sabe. Devem também detectar as dificuldades que o aluno tem para saber, determinando os pré-requisitos que estão faltando e que precisariam ser retomados.

Na avaliação realizada em sala de aula, em primeiro lugar, o aluno precisa ter claro o que é esperado dele no curso. Significa dizer que, mais do que receber a programação da disciplina, é necessário que ele compreenda quais as habilidades que serão requeridas e aprimoradas. Assim, em cada aula o professor deve relatar suas expectativas em relação ao que será ensinado. O que está sendo proposto? Qual o nível de habilidade esperada? Um pequeno lembrete em cada aula orienta a aprendizagem dos alunos e torna claras as bases da relação professor-aluno em sala de aula: o que espero de vocês e o que vocês devem esperar de mim? O que o professor espera dos alunos e o que eles esperam do professor? Quais habilidades serão cobradas nas provas?

A avaliação das aprendizagens é um trabalho colaborativo, parceiro, entre professor e aluno, em que não se admite o aluno não ter clareza das expectativas em relação a sua aprendizagem, as metas a alcançar e sem que possa, a cada momento, se situar e situar o professor sobre seu percurso.


Como poderíamos fazer? Podemos tomar como base as ideias de que:

• as aprendizagens ocorrem através da acumulação de pequenos elementos em que um dado conhecimento se decompõe;

• as aprendizagens desenvolvem-se de forma sequencial e hierárquica;

• as aprendizagens só se transferem para contextos muito semelhantes àqueles em que ocorreram. Se os contextos forem muito diferentes é necessário desenvolver novas aprendizagens; os testes devem ser utilizados com frequência como forma de garantir a maestria dos assuntos antes de se prosseguir para o objetivo seguinte. (SHEPARD apud Fernandes, 2008, p. 25)

O professor, em sua relação face a face com os alunos em uma sala de aula, pode desenvolver uma avaliação formativa, com critérios e parâmetros que, uma vez estabelecidos, permitem identificar o que o aluno sabe, suas dificuldades, as resistências que os impedem de aprender, os pré-requisitos que lhe faltam. A vivência de tais ações possibilita ao aluno avançar em sua aprendizagem oferecendo a reflexão sobre seu próprio processo de aprendizagem.


Assim, a avaliação das aprendizagens é uma prática educativa/formativa que deve ser compartilhada, visando criar junto aos alunos a responsabilidade pelo seu próprio desempenho e desenvolvimento.

O diálogo entre as duas modalidades de avaliação, assumindo um caráter de complementariedade é fundamental, garantindo suas especificidades.


A avaliação interna pode se constituir como ponto de partida da avaliação externa, dando elementos para compreender as especificidades das instituições. Já o enfoque externo, por sua vez, além de conferir credibilidade, alimenta a autoavaliação com análises em outras perspectivas e, também, evita o risco da perda de referência que um trabalho, exclusivamente interno, pode causar.

Bibliografia

DIAS SOBRINHO, J. (2002). Universidade e Avaliação: entre a ética e o mercado, Florianópolis: Insular.

FERNANDES, D (2008). Avaliação das aprendizagens: desafios às teorias, práticas e políticas. Cacém: Texto Editores.


SOUSA, Clarilza Prado; FERREIRA, Sandra Lúcia. Avaliação de larga escala e da aprendizagem na escola: um diálogo necessário.; Sandra Lúcia Ferreira. Psicologia da Educação, Psicol. educ. no.48 São Paulo jan./jun. 2019. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-69752019000100003#6b. Visto em 22/ 01/ 2021

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