Arte de Esconder
- 29 de mai. de 2023
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A proximidade de tudo cega-o, produzindo um reverso do saber e do sabor da existência. Ao ruído, ele dá o tom desta dança, invólucro de mansidão e desespero, tudo a um só tempo.
Febre e lentidão não são nada parecidos com tudo que possa se ver; açoite matinal, não durma bem, pois esta sina já é o signo de uma malversação. Com dois passos para o lado, pode-se observar o seu redor, sem cair nos cadafalsos que por sobre ti se arranjou. Contudo, por entre estas fendas não corre a bílis negra da melancolia, criatura e criadora, ladra do tempo que faz do tempo exatamente aquilo que queres.
Não, aqui não há lugar para os desatinos do bem viver, nem dos soluços e espantos pelo que se torna belo pelo furtivo olhar da admiração; esconderijo da fraqueza, reclusão e solidão que alimenta uma necessidade de fim, preenche a circulação venosa e com pesar pesa por sobre as pernas, incapacitando um caminhar; imobilidade própria da inércia da morte.
Neste sustentáculo de perversão e ódio, não só em ti esta exasperação consome e toma forma, pois escapa por entre as frestas desta mendicância vivencial a gema da discórdia e do despreparo respiratório, pulmões em plena contração; abandono de tudo.
Talvez eu volte as oito horas, mas espero que não; pois aqui nunca estive, e se por um acaso eu aqui um dia estiver, que seja novo como quando um dia no despreparo matriarcal, caia por entre as colunas daquela ruína e não mais suba por nenhum dos degraus que a vida lhe dispôs, como um alento por toda derrota que lá em baixo começou, e assim permaneceu.
A iniquidade que brota desta seara povoa uma solidão inigualável, com toque de amargor e uma alma a deriva; sem o dualismo do vazio, pois não há um corpo pra aquecer.
Você imprimiu este desalento, manutenção de um esquecimento de viver, assombro que pernoita por sobre o brio que deverias ter, pela constante instiga e permanente rotina de saber que se é aquilo que se faz.




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