Ao Azar por Insistência
- 11 de fev. de 2024
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Não tão jovem quanto gostaria de ser, sente a brisa do respirar entrar pelos corredores de seus pulmões, e aguarda até que aquele redemoinho faça a poeira baixar, mesmo sabendo que por tempo demais tudo passou.
Olha para fora do porão donde a luz por pouco escapou por entre o chão, que quase por engano observou em suas mãos, que aquela sensação estava agora diferente, pois diferente estaria a própria mão.
Perguntou sobre o tempo e recebeu um número; acumulação de tantos verões sem calor, primaveras sem flor. Não entendeu nem a metade daquela passagem, quem dirá ao que ainda resta por vir; assombro das quedas de outono e das dores do inverno.
Ainda sente que este corpo ficou estancado por detrás das cortinas, e que ao espetáculo aguardou demais a começar, tanto que a plateia que ali permaneceu, envelheceu tanto quanto a peça.
Sem aparente conserto, não há quem não diga do profundo como se fosse relevante; cínica sátira dos meliantes da boa vida e do relés sofrimento. Absorvidos pela leitura sedentária e por percalços repetidos, hodierno tedioso regado a infelicidade alheia, só para comparar.
Não há incomodo com o tempo, em razão da ocupação com o buffet; não está calor, nem vai chover, porque a raclette está quente e o fondue vai aquecer. Põe assim uma pitada de medíocre comentário, e arruma uma falsa sensação de que ali poderia ser uma morada também pra si.
Recorda que na superfície sempre esteve, visto que pés de chumbo e procrastinação são sinônimos que se complementam; e o mal estar não estaria na civilização, sem antes estar no sujeito.
Ao observar bem próximo, pôde constatar que aquela SUperficial, SUspeita e SUbmissa dama tinha em si pontos negativos e positivos; e que em sua somatória geravam uma negatividade a forma do obsessor, que tanto aos espíritas é caro. Dante conformada, mais do que gostaria de acreditar, sua performance aquém do ser mulher não a impedia de alardear uma potência que de fato não tinha controle, pois ao ato nunca se concretizou.
Tentei não rir, nem lamentar; muito menos odiar, mas, compreender.
Haveria uma certeza indubitável nos encontros: é que você nunca mais encontrará em lugar algum aquele alguém. Ao azar tu não teres dado valor ao único de toda vida, pois esta singular versão de cada um de nós foi substituída pra ti como geral manifestação de desprazer e luto, o que demarcou por tempo suficiente suas vivências, e fizeram com que em absoluto, tudo, peremptoriamente parecesse ruim a ti; ao azar venceu por insistência.
Não sem longamente titubear- e aí estaria seu imbróglio- tudo e a todos não agradou, apesar de sua vida ser sempre suplantada pelos desígnios alheios e pela enxurrada que tudo lavou.
Ao vento que sopra, ele só pode empurrar aquilo que está em seu caminho, não podendo escolher aquilo que tomba.




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