Angústia na Grandeza

Num arremedo de súbita verticalidade, contraposto aos deveres da convivência e em contravenção as superficialidades, a escrita de uma vida parece ser sempre alheia, um depositório de falas não contidas e ásperas investidas.
De onde haveria de ter emergido a enfadonha necessidade de tudo explicar, que se este fora estivesse ali contido naquele dentro, que sem limites que o coloque na prateleira, continua subjugando seus detentores.
E no estofo da melancolia, que se abre enquanto aguarda uma leve brisa de ar, chafurda na pena de si enquanto ao elogio transcende.
Ao leve toque que incendeia concupiscências idealizadas, o cumprimento jamais se ordena como titular em seu casaco, sem que nem ao menos pudesse desvirar.
Vagarosamente, chega a ti a tediosa abertura ao comum, que emplastra frustrações e as embalagens com papel crepom, com transferências e uma objeção sutil.
Seria de bom grado que as ilusões pudessem ser ainda sentidas, como a um segundo atrás; e que a medida se convertesse em uma mera distração, desta essencial projeção.
Quando observo ao meu redor e não enxergo olhares, um emudecimento grita em uníssono, que a vez não é única, mas seu desgaste sim.
E embora um relampejo de esperança espere acontecer, permaneço conciso em dizer que aqui não é pra mim, e que as alturas sempre promovem uma louca vertigem, que não sou capaz de sentir.
Ao sincero que enxovalha uma estima, e que descredita aquele que se abre, uma desconfiança parece ser a bússola da sensatez, mas que também desnorteia caminhos.
Me vi sentado na balança da solidão, no contrapeso da solitude, que engana pela beleza latina de sua palavra, mas não consegue esconder a antissocial medida que desloca coração e corpo, como duas metades que não se encontram.




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