O Descaso como mote Existencial

Não deveria ser de se esperar que a negligência pudesse compor uma verdadeira barreira vivencial, aquela pedra que mesmo desalojada do caminho, encontra confortável morada em outra trilha.
Como haveria de se imaginar, o peso que mantém qualquer coisa em seu estado de inércia, também mantém sua solidez funcional, não há perda de sentido quando deslocada de seu leito matricial.
Colocado para lá, carrega consigo os entraves que estavam em curso no cá, e se essencializa como notório demarcador do tempo exaurido, o esgotamento de uma casca já vazia.
Por demonstração, o aceno a indiferença torna-se mister em ditar rumos, pois atravanca por esmerado trabalho as pernas que deveriam ser longas, mas que encurtam por destrato prolongado.
Ao choro, dá -se as costas, ao sorriso, um grande tapa cortado; e as rachaduras tornam perenes desde a mais tenra infância, e que arrola fragmentos sobrepostos de dramas não contidas e festas sem alegria.
E todo encontro que se procura fazer, em grande parte a revelia do exíguo tempo de morte, apresenta o desgaste desde sempre presente, e que sofrimento ao natural é dito.
As quedas são erroneamente tidas como suficientes, de impacto contido e causa naturalmente observável. Mas o engano é sempre linear, esconde os mal fruídos pesares, que não conseguem se alongar.
A verdade é que se opõe a estes devaneios de aconchego, pois coloca em giro a circular dimensão da queda, que demonstra a força do invisível e de fundo infinito deste tropeço.
Quando que algo feliz foi pensado por quem odeia? Toda esta descrita pomposa que anteveio está questão, serviu de certo de esteio para a imensa submissão que qualquer um de nós, mas especificamente eu, foi subsumido e defenestrado desde o berço.
Tudo a um só tempo é o que mantém tudo em seus espaços, é o que está malha contém de todo danoso momento de estagnação, de conversão em sintomas múltiplos, mas que reverberam um aquele momento inicial, tudo se refere a um.
E os desatinos mitigados, a sombra que perdura e a longa trajetória de abraços não recebidos, constituem por óbvio esta redoma de contenção, a familiar aceitação de que ao túmulo é o que se segue.




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