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A Pequena Moldura Vazia

  • 18 de dez. de 2023
  • 2 min de leitura

 


Uma multidão de transeuntes percorre o grande salão de música que fica do outro lado da rua, onde seu acesso se dá apenas pela adequação.


Como as credenciais necessárias passam pela néscia aprovação, esta embarcação cá onde está, se serve dos petiscos que sobraram no balcão; sem direito a rescisão.


Será que estar só é que se configura como má companhia ( Paul Valery), ou a solidão é errante até encontrar uma companhia?( Pablo Neruda).


Ao bico certo pode ser que o amor venha e troque as vestes da solidão por aquela companhia; mas sempre me inquieto com as presenças que burlam meu sofrer e em troca dão-me falsas vaidades, sem quaisquer virtudes a colher.


Fico onde estou e aguardo o trânsito amainar, mesmo sem querer de fato atravessar, pois aquela travessa acabou por me levar próximo demais a adequação;  senti as asas derreter, sem que pudesse recompor.


Também já sofri deste mal, de idealizar por toda vez que senti, que aplainado aquelas arestas, a solidão poderia parecer mais doce, e que talvez convertesse-se no mais puro deleite das companhias.


Poderia eu nas companhias olhar para os defeitos e ouvir suas qualidades; e em mim corrigi-las (Confúcio); mesmo assim ainda não saberia qual o peso que a solidão ou a companhia verdadeiramente têm.


Não gostaria que nada viesse mansinho ( Caio Fernando Abreu), nem que me enquadrasse; pois a ponte que interliga o horrível do aprazível é tão tênue quanto ao amor que estranhamente acaba.


Contudo, de total parece voto vencido, subordinando a solidão ao marasmo da movimentação; contrário ao otimismo do “tudo é vivo e tudo fala” ( Cecília Meirelles), isso não me convence em absoluto, pois se a morada da solitude esta encrustada naquele monólito de angústia e derisão, a mim não faz jugo.


Contudo, está aparente permanência não se sustenta por tempo o suficiente para que possa ser configurada como águas passadas, pois tenho coragem para mesmo no nada, sentir pleno de tudo ( Clarice Lispector).


Ao coração, que se expande com tamanha profusão, livre sente de não precisar atravessar aquela rua; mesmo desejoso de amar mais uma vez.

 

 

 

 

 

 
 
 

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Filosofia, Educação, Arte e Ciência

Eduardo Worschech

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