A Angústia do Submisso
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Por uma clareza de radical impermanência, deve-se chamar o sensato observador que de astúcia subjugada, transrelata com esmero a verdadeira quimera que açoita a si e aos outros com especial desventura vivencial.
Não há nenhuma óbvia acepção, pois de completa descrição, somente poderia haver o anjo que desce de seus incólumes trajes e se sujeita a tocar com seus olhos a indigna condição de servo da insensatez e desonra.
Lembra-te das vestais e sua célebre missão primordial de guarda do fogo que conserva a luz, manutenção de toda expressão viva que poderia haver neste único mundo e quanto algo, por um paralelismo macabro, assemelhasse em absoluto.
Não é por um andar atravancado e um afã persecutório que o assujeitado pode ser descrito e avalizado, pois de passos conta-se toda uma vida, mesmo quando esta ainda era um engatinhar, que apenas como enigma pode ser imaginado.
Sem contudo adentrar uma toca na qual não se possa ver seu destino, os joelhos feridos apontam uma imaturidade ainda presente e que se esboça continuamente em sua reação aos intrusos que cruzam a linha demarcatória de sua paranoia reativa.
Ao desejo, a metanoia seria como uma fronteira a ser ultrapassada, mas aqui jamais conquistada, pois do fruto da violência nasce o bastardo da agressão e sua incontinência parasitária do feliz, conversão triste no seio da alegria.
Não poderia ser o endereço de mesma via, pois quem é dobrado pela impotência na mais tenra infância, busca sequestrar quem de pouco recebeu muito, e que caso quaisquer fraqueza abra sua portinhola, este hospedeiro pode com as vestimentas de amainadas costuras, deixar-se tocar e mais uma vez capturar para destruir.
De subestimada clivagem existencial, ruptura precoce na formação da confiança e da insuspeita firmeza que somente o andar compassado pode promover; as fronteiras não estabelecidas predispõe o sujeito ao mais infantil e desprotegido dos ambientes, de uma vida que não vale a pena ser vivida.
Ao colapso como iminente, a adaptabilidade torna-se o motor da submissão, sobrevivência crua e incapaz de imprimir quaisquer vibração tonal a vida, privado que esta de um sentido próprio e verdadeiro.
E a turba que se curva, prova mais uma vez sua insignificância e os vícios com carinho, despejam seus caráteres sinuosos e corrompidos ao deus dará da mendicância.
Esta miopia moral compartilhada, fruto da árvore envenenada, não exime seus cúmplices de um litigante escrutínio público que não consegue deglutir tamanho mal-estar coletivo.
De dinâmica esquizo-neurótica, que de maneira nervosa faz palpitar os membros e descentrar o juízo, transporta toda frágil sanidade as estreitas vielas da solidão plural, fruto do abandono singular.
E o medo que resguarda a espécie, converte-se a submissão em esgotamento, ultrapassando a fronteira da proteção, pois acelerado ao infinito, o medo deteriora-se num sinistro fascínio pelo sofrimento.
Ciclos que não se completam, de aparência caricatural, abomina certamente sua condição permanente, que outrora ainda continha esperança em uma das palmas das mãos.
Contudo, não se roga de joelhos sem espalmar aos céus, e o que se tem é apenas apreensão e desgastes, semente soprada indefinidamente ao vento.




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