Silenciamento Pedagógico
- Eduardo Worschech

- 20 de jan. de 2023
- 2 min de leitura

Claudicar: verbo transitivo direto; em sentido figurado, aquele que cai em erro e falta; fraqueja intelectualmente.
Um muro segue a rua e cruza uma linha demarcatória. Mesmo que esticássemos como um elastômero nossa perspectiva pontual, não conseguiríamos estando de fora capturar a energia de todo agir nos quadriláteros dispostos como num vagão de trem. Uma recorrência incomoda persiste sempre que vem a tona a díade “dentro” e “fora”, em relação aos espaços institucionais educativos.
Estrangeiros excursionam por entre as fendas abertas e poucos arraiolos estendidos; no íntimo, não se deixa nada que escape aos olhares subordinadores, cercando até o mais ínfimo dos destinos.
Dialética binária, que não comporta outras dimensões, submete a escala, tijolos e todo repartimento, a efusiva promoção dos aprendentes e seus vetores de força em suas magnitudes expansivas.
Ao agente do retraimento cabe determinar quem vive e somente aquele que sobrevive, neste emaranhado difuso de torsões e enquadramentos. Toca- se o sinal, espera- se ordem e as regras que interditam a circulação, que acabam que represar um verdadeiro dilúvio de correlações sociais e identitárias, com o intuito de fazer produzir aquilo que os supostos papéis pelas quais cabe um dever encenar.
Uma ordem do discurso sanciona ou interdita a produção e suas circulações, tendo efeito direto na promoção de identidades. Ao encarregado, basta uma cadeira quente e um chá verde, passividade e inibição. Segue-se os ditames, persegue um autor e busca encobrir a mediocridade; falsa maneira de viver. Quão próximos estão, lacaios são. A reclusão sempre produz uma exclusão. Temos um abono, que a todos reconduz, ao final de cada ano a uma reviravolta completa, penalizando todo aquele que não se reduz.
Culpa de fato são das crianças, que adoram brincar, se divertir e agrupar. Pecados mortais diante do mandamento do calar. A coordenação de tudo a tudo cabe; se numa década não houve retorno, porque agora poderia haver. Me chame por minha função, inadvertidamente relés, por entre estreitos manuais, replicações e uma aposentadoria por invalidez. Inválido pedagógico; capenga de espírito; obsessor escolar.
A isso não tem cura, pois a ele tudo cabe como senhora do reino das soluções, que interpreta a si mesmo como redentora ou mais parecida com a salvadora do microuniverso da merenda e da hortinha.
Mas aos manuais seguiu por toda a vida, tudo exatamente correto como mostra o figurino, que traveste a ajeitador de um respeito que nem mesmo ele tem por si. Tanto descaso alheio e puro cinismo; joga contra si e todos os outros que na sarjeta se mantém, nas frustrações que lhe convém com toda sinceridade que lhes falta.
As crianças, alvo do pernicioso suposto saber, que se constrói por desmandos, que põem uma pá a cada dia que se passa; lutam contra isso da maneira eficaz: brincam, brincam, brincam.


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