A angústia do Incompleto
- 1 de ago. de 2024
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A agulha do toca discos encontra uma minúscula fissura por entre as ranhuras esculpidas em longa duração, que faz com que sua grandeza se reduza a um gaguejar proeminente.
Tudo permanece em suspenso, numa estacionária condição existente, que preconiza uma ilusória conservação; que mais se assemelha de fato a uma putrefação.
De dores que retomam à agudeza do espírito, sublimação que se estende sem propósito por todo um tecido de proteção; que perde seu tônus a cada segundo que ainda vive.
Nas entradas e saídas, repetições de toques na porta e maçanetas giradas, algo não fecha e acaba por deixar entreaberto um estado de sólida ansiedade; ânsia pela extinta integridade.
Seu desaparecimento não é prova de que um dia esteve aqui, mas que sua falta não foi sentida; pelo menos não como deveria.
Ao campo deontológico, excelente em promover caminhos imaginários e decisões tiradas de uma lista, torna-se aqui o método perfeito para manter-nos cobiçosos do não ter, e afastar-nos daquilo que nos rodeia, pois “poderia” ter sido diferente.
A um retorno genealógico, na abertura dos caminhos pelas sombras, uma penumbra não esconde seu desatinado desejo de um pouco mais de luz, e que o tempo confunde-se com um passar, quando ao escuro pertence toda nossa solidão.
De inigualável conjuntura, nossa constituição conjuga as mais nobres relações, mesmo que delas possamos sofrer e chorar; dado que nossa integralidade compõe-se de sobreposições de estórias e das mãos dadas dos personagens nestes palcos.
Em cada cortina que sobe um desafio; em toda cortina que desce um desfecho. Não é sem pesar que atribuir nossas mudanças a um conglomerado de elementos pode trazer uma simplória sensação de impotência; se assim for diminuta nossa amplitude vivencial.
Como um monólito, sabe-se inteiro sem saber-se incompleto, pois as intempéries que se atrevem a tirar seu sossego arrancam-lhe de pouco a pouco sua unidade, que sempre diminuída se arvora ainda grande.
Mas, sem que escolhas possam ser feitas diante de incontáveis variantes, cabe apenas saborear nossas alegrias e desavenças; sem esperança num amanhã vindouro ou na certeza de que da noite se seguirá mais um pôr do sol.




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